quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Edgar Degas





01 Place de la concorde; 1875

02 Paisagem; 1869/1870

03 A Bailarina; 1878

04 A banheira; 1886

05 Retrato da Família Bellelli; 1860

06 Retrato de duas meninas; 1870

07 Autoretrato; ?

08 A Pequena bailarina de catorze anos; 1881

09 Cavalos de Corrida numa Paisagem; 1894




O Homem

Os contemporâneos de Degas não foram muito indulgentes em seu confronto, considerando-o como, no mínimo, um homem " extravagante " e "bizarro". Na verdade Degas não fazia nenhum esforço para conquistar a simpatia de estranhos e, menos ainda, dos críticos de Arte.
Desde jovem demonstrou ter um caráter difícil: era temperamental, irrequieto e inseguro. O seu olhar, como constatamos em seus auto-retratos juvenis, era triste e melancólico. A morte prematura de sua mãe, quando ele tinha apenas treze anos, assim como a severa educação familiar, contribuíram, certamente em modo não muito positivo, à formação de sua personalidade.
Pôr outro lado, ao que diz respeito ao seu caráter, até mesmo Degas admitia: "Era ou parecia duro com todos, pôr uma espécie de impulso à brutalidade que me vinha da incredulidade e mau humor. Me sentia tão inferior, tão frágil, tão incapaz, enquanto me parecia que os meus cálculos artísticos fossem tão precisos. Era mau humorado com todos e até comigo mesmo".
Degas era um solitário, mesmo se às vezes se queixava. Vivia quase todo o tempo fechado em seu estúdio, totalmente envolvido com seu trabalho e com as suas experiências com as mais diferentes técnicas de pintura. As únicas diversões que se concedia era freqüentar o teatro e alguns amigos mais íntimos como: Manet, Moreau, Paul Valpinçon, Boldini, os Rouart e os Halevy.
O seu relacionamento com as mulheres foi de simples tolerância; o que é estranho, porém, para um homem que das mulheres, pôr uma vida inteira, estudou os movimentos, as atitudes, com minuciosa, quase obsessiva atenção. Das mulheres, dizia aos amigos, que faziam elas muito bem em se interessar à banalidade da moda, porque ao contrário, na falta de tal interesse, renderiam mais difícil a vida dos homens.
A gradual perda da visão, pôr volta de seus sessenta anos, e os graves problemas econômicos, devidos a especulações financeiras erradas feitas pôr seu irmão Achille, o tornaram ainda mais fechado e solitário.

O Artista

Degas é universalmente reconhecido como o grande Mestre das figuras em movimento, um hábil desenhista e um grande inovador na arte do retrato. As suas obras são hoje celebradas, também, pela inigualável técnica e originalidade das composições.
Embora alguns críticos da época tivessem reconhecido bem cedo as qualidades artísticas daquele jovem "bizarro", o verdadeiro sucesso ele só obteve nos últimos anos de sua vida, mas a consagração veio depois de sua morte. Este reconhecimento tardio se deve principalmente ao fato de que Degas, arredio como era, expôs pouquíssimo a sua obra. Basta pensar que a única exposição individual foi realizada em 1893, quando ele tinha quase sessenta anos, onde ele apresentou umas trinta paisagens em pastel. Entre 1865 e 1870 expôs um ou dois quadros em cada ano no "Salon" e também participou a sete das oitos exposições feitas pelo grupo dos impressionistas.
A produção artística de Degas foi intensa, muitos de seus trabalhos restaram inacabados e são inúmeros os desenhos, rascunhos e esboços que ele fazia ao vivo, para depois realizar em seu estúdio a versão definitiva.
Desde jovem, freqüentando o Louvre e os grandes museus, especialmente os italianos, Degas foi atraído pelas obras de Poussin, Velasquez, Goya, David, Ingres, do qual último foi sempre um fervoroso admirador, assim como dos Quatrocentistas italianos.
Embora sendo enquadrado entre os impressionistas, Degas não pode ser considerado um impressionista, enquanto percorre uma estrada totalmente diversa do novo grupo. O que ele havia em comum com o movimento era o desejo de renovar a expressão artística em direção ao modernismo. Ao contrário dos demais impressionistas, Degas nunca quis destacar-se totalmente do passado e o seu empenho artístico foi sempre voltado para conciliar o "velho" e o "novo" . Famosa a tal propósito é a sua frase: "Ah! Giotto! Deixe-me ver Paris, e tu, Paris, deixe-me ver Giotto"
Degas amava se auto definir um "realista", tanto é que em ocasião da oitava exposição dos impressionistas, realizada em 1886, ele pretendeu que a mesma fosse apresentada como uma "exposição de um grupo de artistas independentes, realistas e impressionistas".
Mas vejamos de acompanhar o percurso artístico de Degas na sua evolução. Aos dezenove anos é aluno de Barrias e freqüenta assiduamente o Louvre e o "Cabinet des Estampes" da "Bibliothéque Nationale", copiando as obras dos grandes mestres do passado. Porém a freqüência de Degas ao estúdio de Barrias foi pôr pouco tempo, então foi discípulo de Louis Lamothe, que, pôr sua vez, tinha sido aluno de Ingres. E foi através do próprio Lamothe que Degas conheceu Ingres, se tornando um seu admirador fervoroso. Pela influencia, ainda que indireta, que Ingres exerceu sobre ele, Degas foi sempre um convicto defensor de que o desenho, com "linhas amplas e contínuas", deve ser a base de toda composição artística.
Porém o fascínio que exercitaram sobre ele seja Ingres, assim como outros grandes Mestres do passado, não impediram a Degas de buscar, com obstinado empenho, um novo caminho. O mundo flui, se renova e ele é atraído pôr esta nova realidade. Desde os seus primeiros retratos se nota a presença do relacionamento entre "passado" e "presente", que o acompanhará pôr toda a sua atividade futura.
Ao contrário dos Impressionistas, Degas não amava trabalhar "en plein air", preferindo decididamente a luz artificial de ambientes internos, que lhe dava uma maior liberdade e a possibilidade de manipular os sujeitos e modificar a pose como bem entendia, na qual nada, segundo ele mesmo dizia, deveria ser deixado ao acaso. Até os sujeitos ao externo, como as corridas de cavalos, os jóqueis, as cenas de caça e, também, as paisagens, mesmo sendo estudados no local nos mínimos detalhes mediante rascunhos e esboços, eram mais tarde reelaborados em seu estúdio.
Falamos que Degas se considerava um "realista", mas este seu contato com a realidade é bastante frio, estudado e meditado. Enquanto Manet adorava trabalhar seguindo o seu instinto, reproduzia tudo o que via, como ele mesmo dizia, Degas, ao contrário, colocando sempre em discussão o seu trabalho, dizia sempre: "Eu não sei nada a respeito da inspiração, da espontaneidade, do temperamento, o que eu faço é resultado da reflexão e do estudar os grandes Mestres".
Parece estranho que ele, que na sua vida inteira não teve algum relacionamento, que tivesse sido importante, com alguma mulher, tenha escolhido próprio as mulheres como um dos temas principais da sua obra. Mas a "mulher" vista pôr Degas, as suas "bailarinas", as suas "mulheres tomando banho", as suas "passadeiras", as suas "lavadeiras", são figuras femininas nada exaltadas, nem um pouco românticas, são apenas objetos de escrupuloso, quase obsessivo, estudo de seus movimentos profissionais ou das suas mais íntimas atividades quotidianas.
As "bailarinas e as "mulheres tomando banho" parecem trabalhos feitos em seqüência cinematográfica, fascinantes pôr seus cortes totalmente inovadores , pelas empaginações descentradas, pelas angulações incomuns: evidente, em tal sentido, a influência do "orientalismo", naquela época em grande moda, e das estampas japonesas, das quais Degas era um apaixonado colecionador. Porém Degas se distingue também, pelo delicado traçado de seu desenho, assim como pela magistral interpretação da luz.
Degas não quer nos surpreender ou impressionar: a sua é uma narrativa sem trama. A situação que ele nos mostra , seja esta a evolução da bailarina ou o gesto da passadeira que aperta o ferro sobre a roupa, é pôr si só, e simplesmente, o momento estético fixado na tela, a sua representação harmônica. Mas quanto trabalho, quantas provas para representar aquilo que parece ser um simples gesto represo em uma fortunada visão instantânea! Degas, a tal propósito, anotou: "É preciso refazer dez vezes, cem vezes o mesmo sujeito. Nada na arte deve parecer casual, nem mesmo o movimento".
Antes de percorrermos juntos os mais importantes dados cronológicos da vida e obra de Degas, encerro estas anotações sobre Degas Artista, transcrevendo alguns juízos críticos de seus contemporâneos.
"Até este momento é a pessoa que melhor vi representar, na tradução da vida moderna, a alma desta vida"(E. de Goncourt, Journal, 13 de fevereiro de 1874)
Em 1876, Edmond Duranty, em ocasião da segunda exposição dos impressionistas, escreveu sobre Degas: "Assim a série das novas idéias se formou principalmente na mente de um desenhista, um dos nossos, um daqueles que expõem nestas salas, um homem dotado do mais raro talento e da mais rara inteligência. Diversas pessoas se aproveitaram de suas concepções e do seu desinteresse artístico, e é tempo que se faça justiça e se conheça a fonte que tantos pintores desfrutaram, pintores que jamais admitiriam revelá-la; faço votos de que este artista continue a exercitar as suas faculdades prodigiosas, como filantrópico da arte, não como um homem de negócios como tantos outros".
G. Rivière, em 1877, em ocasião da terceira exposição dos impressionistas, assim escreveu sobre a obra de Degas: "Não procura nos fazer acreditar em uma candura que não possui; ao contrário, a sua sabedoria prodigiosa se impõe onde quer que seja; a sua habilidade , tão atraente e peculiar, dispõe os personagens no modo mais imprevisível e prazeroso, permanecendo sempre verdadeiro e natural". E, se referindo sempre a Degas, continua: "É um observador; nunca busca exagerações; o efeito é conseguido sempre através da própria realidade, sem que seja forçada. Isto faz dele o histórico mais precioso das cenas que apresenta."
E, a propósito dos nus de Degas, J.K. Haysmans, em 1889, ecreveu: "...Não é mais a carne fria e lisa, sempre nua das deusas, ...mas é próprio carne despida, real, viva..."
Entre as anotações do próprio Degas a respeito de seu trabalho, recordamos algumas entre as mais famosas: "Feliz de mim, que não encontrei o meu estilo, coisa que me faria muita raiva!" "A pintura não é tão difícil, quando não se sabe... mas, quando se sabe...oh! então... é tudo outra coisa."
Em relação aos seus "nus femininos", Degas escreveu: "... O animal humano que cuida de si mesmo, uma gata que se lambe. Até o momento o nu tinha sido apresentado em poses que pressupunham um público; as minhas mulheres, ao contrário, são pessoas simples, honestas, que não se preocupam de outras coisas além do próprio cuidado com o corpo".
Enfim, em relação à Arte, Degas escreveu: "A arte é o vício: não se a esposa legitimamente, mas a violenta!"



Cronologia da Vida e das Obras


1834- Hilaire Germain Edgar de Gas nasce no dia 19 de julho em Paris, na Rua Saint Georges. Seu pai, Pierre Auguste Hyacinte. de Gas, é um banqueiro parisiense, e sua mãe,Célestine Musson é de família crioula, originária de New Orleans.

1845- Inicia o 1º grau na escola Louis-le-Grand. Visita o Louvre com o pai, amante da arte e da musica. Conhece os mais importantes colecionadores de arte, entre os quais Valpinçon, proprietário da "banhante" de Ingres.

1847- Morre sua mãe.

1853- Terminados os estudos do 2º grau, o jovem Degas começa a freqüentar assiduamente o Louvre e o "Cabinet des Estampes da Bibliotheque Nationale de Paris". Copia os grandes mestres do passado, entre os quais Dürer, Mantegna, Rembrandt, Goya, Giotto,Paolo Uccello, Luca Signorelli, François Clouet, Hans Holbein. Abre o seu primeiro atelier no apartamento paterno da Rua Mondovi, em Paris. Frequenta por poucos meses o atelier de Barrias.

1854- Torna-se aluno de Louis Lamothe, discípulo de Ingres, e das obras do qual, Degas restará, pela vida toda, um grande admirador. Primeira viagem à Itália para estudar. Vai até Nápoles para visitar o avô paterno.

Works: Portrait of the Artist

1855- Apresentado pôr Lamothe, entra na "Ecole des Beaux-Arts", mas logo se cansa do ensino acadêmico. Conhece Ingres, que já tinha 75 anos.

1856- Retoma as viagens à Itália, indo à Roma, Nápoles, Florença, alternando com estadias em Paris, onde se torna assíduo freqüentador da Opera. Começa a pintar os retratos das primas Bellelli que viviam em Florença.

1857- Passa uma temporada em Roma; freqüenta a "Accadémie Français", onde conhece Gustave Moreau. Realiza numerosas cópias de obras do período quatrocentista italiano, alguns desenhos de modelo e rascunhos, a bico de pena, aquarela, de paisagens.

Works: Portrait of René-Hiláire de Gas Roman Beggar Woman

1858- Viaja para Viterbo, Orvieto, Perugia, Assis e Florença, onde, no Café Michelangelo, freqüenta os"Macchiaioli".

Works: The Bellelli Family

1859- Volta definitivamente para Paris, e, mesmo com a sua rica bagagem cultural do "passado", se imerge totalmente na realidade do "presente", vivaz, dinâmico, moderno. Os seus modelos são aqueles que a realidade parisiense lhe oferece; "cantoras de café-concerto", "bailarinas", "músicos deorquestras","lavadeiras", "passadeiras", "mulheres que fazem higiene pessoal", "prostitutas", e também se dedica aos"retratos de familiares".

Works: The Daughter of Jephthah

1860- Works: The Young Spartans Exercising Semiramis Building Babylon

1862- No Louvre conhece Manet, do qual se torna amigo e que o introduz no seu grande círculo de amizades.

1865- Degas expõe pela primeira vez no "Salon".

Works: Medieval War Scene A Woman with Chrysanthemums

1866- Passa a freqüentar o "Café Guerbois", onde fervem as polemicas contra os "acadêmicos". No "Salon" expõe quadros representando "corridas de cavalos".

Works: Race Horses Before the Grandstand

1867- Works: Portrait of Joséphine Gaujelin

1868- Works: Mr. and Mrs. Edouard Manet

1869- Hóspede de Manet, a Boulogne-sur-mer, Degas pinta uma série de "paisagens marinhas".

Works: Beach with Sailing Boats Portrait of Yves Gobillard-Morisot Madamoiselle Dobigny Sulking A Woman Ironing

1870- Degas começa a ter problemas de vista. Explode a guerra franco-prussiana; Degas se alista como voluntário na Guarda Nacional. Reencontra, como seu comandante, o companheiro de escola Rouart, com o qual inicia uma amizade que durará pelo resto de sua vida. Ao "Salon" expõe o "Retrato de Madame Camus". .

Works: At the Races in the Country Madame Camus The Orchestra of the Opera

1871- Freqüenta o Ballet da Opera e inicia o trabalho sobre a dança.

Works: Dance Class

1872- Em outubro, juntamente com o irmão René, viaja para New Orleans, onde, com os parentes da mãe, vive o irmão Achille. Passa uma temporada de seis meses em Louisiana..

Works: Seated Woman At Ballet Dance Lesson Children Sat Down in the House Door

1873- Retornado a Paris, começa a freqüentar os "Impressionistas" no "Café de la Nouvelle Athènes". Retoma o estudo das "bailarinas", "lavadeiras", "passadeiras" e inicia o das "modistas".

Works: Seated Dancer The Pedicure

1874- Começa a trabalhar com os pastéis; as suas cores se tornam mais acesas e vivazes. Viaja para Nápoles para dar assistência ao pai que estava morrendo. Participa da 1ª exposição dos impressionistas.

Works: Portrait of Léopold Levert The Rehearsal on the Stage The Dancing Class La répétition sur la scène Melancholy

1875- Degas enfrenta os primeiros problemas financeiros, seja pôr efeito de dívidas deixadas pelo pai, como também pôr investimentos errados feitos pelo irmão Achille.

Works: The Absinthe Drinker Three Women Combing Their Hair Woman with Opera Glasses Aix Ambassedeurs Woman with Dog

1876- Em abril se inaugura a 2ª exposição dos impressionistas. Degas apresenta 24 obras. O crítico Edmond Duranty presta homenagens à Degas reconhecendo as suas idéias inovadoras na pintura e seu raro talento. Determinante é a contribuição de Degas para a afirmação do movimento impressionista e à continuidade das exposições do grupo até 1886.

Works: Nude Woman Combing Her Hair Racecourse, Amateur Jockeys The Dance Class The Star Dancers Practicing at the Barre The Song of the Dog Cabaret

1877- Financiada por Caillebotte, se realiza a 3ª exposição dos impressionistas, à qual Degas participa com 27 quadros representando bailarinas, nus femininos e cenas de "café-concerto".

Works: Dancer with Bouquet The Rehearsal Women in Front of a Café, Evening The Posers

1878- Works: Singer with a Glove Portraits, at the Stock Exchange

1879- Se realiza, com a participação de Degas,a 4ª exposição dos impressionistas. Se acentuam os problemas da vista e Degas, em conseqüência, se dedica cada vez mais a esculpir estatuetas, em cera, de mulheres e de cavalos e a trabalhar com pastéis.

Works: Halévy and Cavé Backstage at the Opera Dancer with a Fan

1880- Degas viaja para a Espanha. Participa da 5ª exposição dos impressionistas, onde expõe uns dez trabalhos. Se dedica cada vez mais aos "grandes nus" e aos pastéis. O sucesso de Degas é já consagrado.

Works: Mary Cassatt at the Louvre The Little Dancer of Fourteen Years Seated Dancer Tying Her Slipper Before the Entrance on Stage Dancer Adjusting Her Slipper Dancer in Green Tutu

1881- Na 6ª exposição dos impressionistas, Degas apresenta trabalhos em pastéis e, pela primeira e única vez, uma escultura, "pequena bailarina de 14 anos" , que causará muita polêmica e que dividirá a crítica. Os adversários retêm que esta escultura, em cera vermelha e com uma saia verdadeira, seria mais digna de ser exposta em um museu de antropologia que em uma exposição de arte. A estatueta, depois da morte de Degas, assim como as outras cento e cinqüenta encontradas em seu estúdio, será fundida em bronze.

1882- Se acentuam os distúrbios na vista. Realiza-se a 7ª exposição dos impressionistas à qual Degas não participa.

Works: Before the Race Waiting Chez la Modiste At the Milliner's

1883- Morre o amigo Manet e Degas, que fica muito ressentido, se fecha em um total isolamento. Agora se dedica quase exclusivamente aos pastéis (grandes nus, bailarinas, cavalos e jóqueis) e às esculturas.

Works: Retiring Woman in Her Bath Washing Her Leg Chez la Modiste Reclining Nude The Morning Bath Race Horses

1884- Works: Woman in the Tub

1885- Works: The Tub Before the Mirror

1886- Degas faz uma breve viajem a Nápoles. Ao voltar para Paris, participa da 8ª e última exposição dos impressionistas. Expõe pastéis representando nus femininos e modistas. A exposição foi um fracasso total.

Works: A Woman Having Her Hair Combed Woman Drying herself The Tub

1887- Works: Seated Woman Combing Her Hair

1889- Visita a Espanha e Marrocos com o amigo Boldini.

1890- Breve viajem à Bolonha com o escultor Bartholomé. Inicia uma série de paisagens.

Works: The Morning Bath Wheatfield and Row of Trees Landscape with Hills Ballet Dancers in the Wing

1892- Works: Landscape Avant l'entrée en scene Seated Woman Having Her Hair Combed

1893- Degas realiza, aos 59 anos, a sua primeira e única exposição individual na Galeria Durand-Ruel. Expõe pastéis sobre monotipo representando paisagens realizadas durante a estadia em Borgonha.

1895- Works: After yhe Bath, Woman Drying Her Nape Seated Bather Drying Herself Two Bathers on the Grass After the Bath Three Russian Dancers

1896- Works: After the Bath Woman

1897- Em companhia do escultor Bartholomé, visita o "Musée Ingres" em Montauban. Freqüenta apenas os amigos Rouart e Halevy, se hospedando nas suas casas de campo durante o verão.

1898- Pôr causa da perda quase total da sua visão, Degas pinta pouquíssimo e se dedica exclusivamente às pequenas esculturas de bailarinas e cavalos.

1899- Works: The Dancers Two Dancers in Blu

1905- Works: Après le bain

1912- Devido à difícil situação financeira, se vê obrigado a abandonar a sua casa e o seu estúdio da "Rue Victor Massé" e se transfere para Boulevard de Clichy.

1917- Em 27 de setembro, Degas morre em Paris, com a idade de 83 anos.



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Quem Foi Degas




Edgar Degas
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Edgar Hilaire Germain de Gas ou Edgar Degas (Paris, 19 de Julho de 1834Paris, 27 de Setembro de 1917) foi um gravurista, pintor e escultor francês. Embora seja muito conhecido pelas suas pinturas, majoritariamente de carisma impressionista, é igualmente relembrado como gravurista. Muitos dos seus trabalhos conservam-se hoje no Museu de Orsay, na cidade de Paris, onde o artista nasceu e faleceu.
A juventude
A origem e a formação de Edgar Degas jamais sugeriam que ele viesse a ser um revolucionário, que de uma forma tão morta satirizou e reformulou as percepções visuais das pessoas do seu tempo. Nasceu no seio de uma família da alta-burguesia. O seu pai, René Auguste de Gas, geria uma sucursal de um banco napolitano que pertencia à família.
Com onze anos, os pais ingressaram-no num bom colégio, da típica sociedade, mas, somente quando se inscreveu no Lycee Louis Le Grand, começou a perseguir um sonho chamado «Arte». Com dezoito anos, numa sala da mansão dos seus pais, formou um atelier onde concebeu alguns dos melhores trabalhos do início da sua carreira. Não pintava muito na escola pois tinha bem assente a sua posição social e os pais relembravam-lhe constantemente que era um aristocrata. Cansado, saiu do liceu aos vinte anos de idade com outros planos em mente.
Com Louis Lamothe estudou desenho. Foi este artista quem lhe serviu de conselheiro durante os primeiros anos da sua carreira e que lhe fez florescer o gosto iminente por Dominique Ingres. Nos anos próximos Degas foi admitido na École des Beaux-Arts, em Paris.
Entusiasmado, empreendeu uma viagem à Itália onde tomou mútuo contato com as obras de Rafael Sanzio, Leonardo da Vinci, Michelângelo, Andrea Mantegna - tanto que chegou mesmo a fazer um quadro cujo título era «A cruxificação de Mantegna» - entre outros artistas da Renascença.
Durante esta viagem concebeu um dos seus melhores trabalhos: Retrato da família Bellelli. Quadro cuja preparação lhe roubou mais de dois meses, tendo esboços de todos os membros da família aristocrata italiana. Com esta pintura Degas descreveu extraordinariamente o carácter psicológico da baronesa, que contrasta visível e implacavelmente com o do barão. A baronesa confina-se a olhar enaltecidamente para uma janela que somente se sabe que ali está devido ao espelho, em pose burguesa. O barão, mais velho que a esposa, mira encarecidamente a sobrinha sentada. A par deste quadro, não se cansou de retratar os membros da sua família, incluindo o seu avô, Hilaire Germain de Gas, o patriarca da família De Gas.
Retornado a Paris, com a soberba imponência de quem travou conhecimento com o grande Gustave Moreau, visitou várias vezes o Louvre onde estudou concisamente a obra de Delacroix e de Dominique Ingres. Este último era, por assim dizer, «idolatrado» por Degas. Com tudo isto conheceu um homem que se viria a revelar um grande amigo e que o marcaria até ao final dos seus dias: Edouard Manet.
Começara, de vez, o impressionante percurso artístico de Edgar Degas.
O percurso artístico
Depois da sua longa visita a Itália, onde não se absteve de estudar e até mesmo copiar as obras dos mais distintos pintores do Renascimento italiano, Degas regressou a Paris. Enfasiado pela arte renascentista e barroca, passou a ir frequentemente ao Museu do Louvre, onde estudou as obras de pintores, seus precedentes, de toda a Europa, sem exceptuar Nicolas Poussin, Dominique Ingres, Leonardo da Vinci, Hans Memling, Ticiano, Anthony van Dyck, Joshua Reynolds, Hubert Robert, John Constable e outros mestres.
As pinturas deste período, cópias das obras dos precedentes pintores ou inspiradas nas obras dos mesmos, começaram a encarar o sucesso e foram até aceitas no Salon. Degas era reconhecido como um convencional e ecléctico pintor parisiense do Salon.
Mas, em 1870, a vida de Degas mudou algo, aquando da Guerra Franco-Prussiana. Na guerra, entre duas das maiores potências europeias - embora em declínio - que Degas serviu, na Guarda Nacional, na artilharia, agindo na defesa de Paris. Estava ali junto a Henri Rouart. Os dois ficaram instalados na casa de uns amigos da família De Gas (ou, abreviadamente, Degas), de nome Valpiçon. Foi aqui, em Ménil-Hubert, na Normandia, que Degas trabalhou em Retrato da jovem Hortense Valpiçon. O quadro revela uma assimetria semelhante a A dama dos crisântemos, que, por sua vez, retrata a mãe de Hortense, a famosa Madame Valpiçon. Esta temporada marcou o interesse maior do aristocrata pela pintura histórica.
Depois da Guerra - e para descansar - Degas retirou-se para Nova Orleans, por via Londres, com o seu irmão René (que tinha o mesmo nome que o pai), onde o tio estava imigrado e mantinha um negócio de algodão. Ali concebeu um vasto número de trabalhos antes de retornar a Paris, entre A Bolsa de algodão de Nova Orleans, O pedicuro (que tem-se como mais um dos incansáveis estudos da vida quotidiana proferidos por Degas) e Negociantes do algodão em Nova Orleans. Regressou à sua cidade natal no ano de 1873, depois de permanecer cerca de cinco meses nos EUA.
Depois de tantos anos dedicado à pintura Degas quis, a par dessa actividade, experimentar uma nova ocupação. Vendo-se em favorável posição social, Degas teve acesso às mais contemporâneas tecnologias e modas. Recentemente inventada, a Fotografia também atraiu o francês. Mas por pouco tempo. De opinião conservadora, digna de um verdadeiro aristocrata, reinventou-se como coleccionador de arte e comprou vários trabalhos de Paul Gauguin, Van Gogh e Paul Cézanne, o que demonstra a aptidão que tinha para a escolha de tons vivos e fortes e a «força» que estes exercem sobre si. Criou então uma colecção, hoje, de imenso valor comercial.
Como já foi dito explicitamente, Degas gozou de uma grande estabilidade monetária. Todavia somente gozou de tanta estabilidade até 1874, aquando da morte do seu pai. Tendo herdado algumas dívidas, Degas viu-se na obrigação de vender a sua colecção de arte. Mesmo assim não deixou de parte os seus luxos, incluindo os criados, os quais retratava frequentemente. A sua governanta era Zoé Cloisier.
Em 1874, após a morte do pai, Degas precisava de ajuda para a concretização de uma exposição onde pudesse exibir as suas pinturas. A exposição, a princípio um acontecimento simples, que não deveria chamar muita atenção, acabou sendo a Primeira Exposição Impressionista, onde Degas se apresentou com trabalhos como Nas corridas e Cavalos de corridas. Ambas as obras estão hoje em exibição em museus: a primeira no Museum of Fine Arts, em Boston, e a segunda no Museu de Orsay, em Paris. Degas e os demais impressionistas protagonizaram mais sete exposições, a última em 1886. Degas participou em todas, sem excepção. Na maioria das exposições, Degas foi ali inserido sob alçada de Manet, o seu «amigo rival».
Depois destas exposições o mundo havia, de certo, mudado. As pessoas renovaram a sua visão da arte e foram se acostumando àquelas pinturas que a «boa-sociedade» tinha como imprudentes, escandalosas (as de Edouard Manet) e até mesmo imorais, objectos incitadores de revoluções. E de facto, os impressionistas foram mesmo revolucionários: revolucionaram a maneira muito conservadora de ver a arte, mudaram a visão naturalista que as pessoas tinham do Mundo que as rodeava, deram o primeiro passo para a Arte Moderna
Apesar de Degas, ao longo da sua vida, ter sido conservador tanto nas opiniões como na própria forma de vida, as transformações que sofreu, tal como com a maioria dos outros impressionistas, viriam, de facto, a transformar-se na «alavanca» do Modernismo.
O Estilo artístico
A banheira, 1886, Museu de Orsay. Este quadro é um dos mais importantes e representativos trabalhos de Degas. Como de costume exibe uma «gama» de inspirações que se revelam entre Dominique Ingres e o seu próprio estilo. Para além disso, este é dos poucos quadros em que o artista trabalha uma paleta de cores impressionista e partilha um estilo um pouco semelhante ao de Manet. Para além de atraído pelo corpo feminino, Degas trabalhava muito o quotidiano, sendo este trabalho um exemplo do seu gosto pelo quotidiano mais «doméstico», digamos assim. É necessessário afirmar que este trabalho é o melhor de toda a célebre série Mulheres no seu toillete.
Degas é considerado vulgarmente como um dos impressionistas, todavia, tal afirmação revela-se um erro, visto que o autor nunca adoptou o leque de cores típico dos impressionistas, proposto por Monet e Boudin, e para além disso desaprovou vários trabalhos seus. Pelo contrário, Degas misturava o estilo impressionista - inspirado em Manet - com inspirações conservadoras, com bases assentes na Renascença italiana e no Realismo francês. Mas à semelhança de muitos modernistas - desta época ou de outras, veja-se Matisse, que viveu posteriormente -, inspirou-so muito nas odaliscas de Dominique Ingres.
Na primeira exibição impressionista, Degas constava na lista dos que ali tinham obras expostas. As suas obras reuniam uma gama de influências vastas e sem semelhança, onde sobressaiem as gravuras japonesas e os torneados humanos de Dominique Ingres. Como é de notar os quadros de Degas não surpreenderam tanto como os de Monet, por exemplo. O público não se espantava tanto com as suas pinturas; eram tão mais delicadas, sem a agressividade que viram nos outros trabalhos, fazia-lhes até lembrar a pintura histórica, os grandes mestres italianos e o encanto dos franceses do setecento.
Degas ficou conhecido por muito pintar bailarinas, principalmente, cavalos, retratos de família - dos quais o mais conhecido é Retrato da Família Bellelli - ou individuais (por exemplo, o Retrato de Edmond Duranty), cenas do quotidiano parisiense e cenas domésticas, como o banho (como A banheira), paisagens e pela burguesia de Nova Orleans. Todavia, durante algum tempo Degas aplicou-se a pintar as tensões maritais, entre homem e mulher (recorde-se O estupro e O amuo).
Na década de 60, Degas adquire finalmente o estilo que o tornaria famoso e diferente dos seus colegas: a pintura histórica. Apesar desse particular não deixou de continuar a pintar as cenas de ópera e concertos, mulheres e finalmente, as bailarinas. Sim, as famosas bailarinas que o tornaram um pintor de renome. Desta série que perdurou ao longo do final do seu glorioso percurso artístico, as mais famosas pinturas são, sem dúvida, A primeira bailarina e A aula de dança. Nestes trabalhos o francês aplicou-se vivamente nos tons vibrantes, que vigoraram vulgarmente ao longo da sua vida. Porém, durante este período os seus trabalhos tornaram-se muito expressivos, alarmantes, assustadores. Veja-se o caso do primeiro. A bailarina parece que voa e o ambiente em torno dela é inspirador e implacável. Um quadro vivo, uma obra-prima inquestionável.
É impossível esquecer Músicos da Ópera, uma verdadeira cena saída de um conto literário. Um particular interessante na pintura de Degas é o facto de conceder a cada personagem dos seus trabalhos uma atmosfera brilhante e eclética que faz com estas pareçam reais, móveis, tocáveis, inexplicáveis. Degas era, incontestavelmente, um mestre da pintura. Músicos da Ópera não foge à regra.
Até aqui era frequente utilizar pastel, todavia, durante a décade de 70 era mais frequente a pintura a óleo, nos seus trabalhos.
Devido à sua brilhante técnica, hoje, as pinturas de Edgar Degas são das mais procuradas pelos compradores de todo o Mundo. Em 2004 um trabalho de Degas de nome As corridas no Bois de Boulogne foi vendido na Sotheby's pela quantia espantosa de cerca de 10 milhões de Euros, ao lado de O tomateiro, de Pablo Picasso e de alguns outros trabalhos do seu eterno «amigo-rival» Edouard Manet.
A reputação e a aceitação da sua obra
"Saúdo Vossa Excelência que tem aquela perspectiva, talvez das pinturas de Degas, capaz de vislumbrar o horizonte sem o impressionismo que dificulta muitas vezes o exercício da poesia para a boa aplicação da justiça." Ministro Menezes Direito - STF
Degas era um aristocrata, um homem de famílas típicas, um descendente de banqueiros napolitanos. Portanto, os seus trabalhos, do início da sua carreira, foram bem aceitos pela crítica e pela aristocracia restante que se espantava ao ver o talento daquetrile génio. Sem dúvida, a sua classe social influenciava na aceitação dos seus trabalhos. Desde cenas do cotidiano doméstico às frenéticas ruas de Paris, desde a Bolsa de Nova Orleans à pintura histórica, desde as corridas de cavalo a mulheres passando a ferro, todas as suas obras eram bem aceitas e de extrema reputação.
Contudo, tal viria a mudar depois da concepção de Place de La Concorde. Enquanto nos seus antigos quadros surgem com bastante dinamismo, a composição deste não permitiu tal coisa. As figuras deslocam-se, perece, vagarosamente - o que é óbvio pois representava um passeio. Existe uma quase ausência de personagens na praça parisiense. Figuram duas meninas que não se sabe a quem pertencem, de onde vêm nem para onde vão. Demonstram um sorriso implacável e constrangedor, comparável ao de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Dois velhos de cara triste, deambulando com cortola posta, e barba arranjada, muito ecléticos. Parecem infelizes. E esta atmosfera triste realça-se mais com os trajes dos personagens, cinzas ou pretos.
Não se sabe ao certo como reagiram as pessoas ao quadro, sabe-se porém, que ficaram eternizadas expressões de cansaço, no público. Pareciam tristes ao ver a obra. Degas já não era a mesma coisa.
A pequena bailarina de catorze anos, escultura forjada em bronze a partir da imagem em cera exibida na Mostra Impressionista de 1881.
E depois de A pequena bailarina de catorze anos, Degas marca o início da sua independência do grupo dos impressionistas. Deixa-os para trás. Aquilo para ele era somente uma brincadeira, com a qual se tornou reconhecido na Europa.
Ao exibir esta escultura deixou os seus colegas chocados como toda a «boa sociedade» da época. A bailarina representada era um dançarina da Ópera que Degas conheceu. A sua família era miserável, tendo mesmo uma irmã prostituta. Estudou balé até os dezesseis anos, já depois de Degas a ter esculpido, até que teve que se prostituir para conseguir viver.
Escandalizado, Degas fez com que a bailarina muito jovem se deixasse desenhar. Começou com simples esboço, depois as telas e depois, uma escultura revolucionária que viria a mudar o mundo. Degas fê-la com o propósito de deixar bem marcados na cera (material com que esculpiu a bailarina) os seus sentimentos face àquela miséria fútil, na qual viviam milhares de parisienses. A sua face mostra o árduo trabalho com o qual conviveu.
Ao exibí-la, chocados, todos perguntavam o porquê de estar ali exposta aquela escultura. Aquilo comovia a sociedade, remexia-lhes o peito, fazia-os tristes, não queriam olhar. Por outro lado, esta escultura foi o primeiro trabalho nesta área da arte que incluiu uma roupa real, desta feita uma saia.
A partir daí, o Mundo começou a refletir sobre aquele aristocrata que se atreveu a provocar a sociedade e Degas foi, de algum modo, rejeitado e até mesmo humilhado. Mas ninguém se pôde esquecer que ele mudara a visão conservadora e eclética do mundo, e não se esqueceu de publicitar e de tornar públicos os problemas deste. Anos mais tarde, a famosa escultura tornou-se um ícone desta forma de Arte.
Impossível é deixar de referir que Edgar Degas foi um dos maiores revolucionários da arte do oitocento e de todos os tempos.